Google no Fórum E-commerce Brasil 2026

Mauricio Shinmi

Escrito por Mauricio Shinmi

29 | 07 | 2026
Tempo de leitura 6 min de leitura

Estivemos no Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo, e acompanhamos a palestra de Gleidys Salvanha, diretora de Varejo do Google Brasil. O tema central foi o Modo IA e a forma como a inteligência artificial reimaginou a Busca do Google, que agora é mais inteligente, mais personalizada e mais agêntica. Neste post, reunimos os principais dados e recados da apresentação, com a nossa leitura sobre o que tudo isso significa para quem quer vender e ser encontrado no digital.

Resumo direto: o Google apresentou no Fórum E-commerce Brasil 2026 que a busca com IA virou comportamento de massa. Os AI Overviews já alcançam 2,5 bilhões de usuários e o Modo IA chega a 1 bilhão. As buscas estão 3x mais longas, 57% dos brasileiros já usaram IA em alguma jornada de compra e a fase agêntica (com a IA executando tarefas, como reservas) começa a ser lançada. Para as marcas, o recado é ser relevante para humanos e legível para as máquinas.

Os números do Modo IA e dos AI Overviews

O Google apresentou dados que confirmam o que já vínhamos acompanhando: a busca com IA deixou de ser tendência e virou comportamento consolidado.

2,5 bi
de usuários globais nos AI Overviews
1 bi
de usuários globais no Modo IA
3x
buscas mais longas no Modo IA que nas tradicionais
+40%
de crescimento mensal em perguntas de follow-up

Outro dado chamou atenção: 30% de crescimento nas buscas relacionadas a brainstorming, como “ideias para”, “onde eu deveria” e “qual é o melhor”. As pessoas não usam mais a busca só para encontrar, usam para pensar junto.

E um número citado no palco dá a dimensão da aposta: o capex do Google saltou de US$ 32 bilhões em 2022 para US$ 205 bilhões em 2026. É o investimento em infraestrutura (data centers, chips e rede) que sustenta toda essa camada de IA. Não é um ajuste de rota, é uma reconstrução da busca. Se você quer entender melhor esse movimento, já explicamos em detalhes o que os AI Overviews mudam para as empresas.

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A busca saiu do fim do funil

Um dos pontos mais importantes da palestra: a busca deixou de ser apenas o fim do funil. Com o Modo IA, ela passa a incorporar etapas de inspiração, descoberta e consideração. As pessoas não digitam mais apenas “tênis de corrida”. Elas perguntam “como escolher o melhor tênis para corridas de longa distância que minimize o impacto no joelho e aumente a performance”.

Isso resgata um conceito clássico do marketing: o jobs to be done. O consumidor não busca a furadeira, busca o furo na parede. Não busca o hotel, busca a experiência fora de casa. As marcas que estruturarem seu conteúdo em torno da missão do cliente, e não apenas das características do produto, terão vantagem nesse novo cenário. Esse é exatamente o tipo de mudança que detalhamos no nosso guia completo de GEO e a diferença para o SEO.

Como o brasileiro já usa IA para comprar

O Google apresentou uma pesquisa feita com a Ipsos que avaliou 17 mil jornadas de compra, respondidas por 2.750 brasileiros. Os resultados:

57%
já usaram IA em alguma jornada de compra
44%
usaram IA em parte das compras
13%
usaram IA em todas as compras

O uso varia conforme a categoria e a complexidade da decisão. A pesquisa identificou quatro modos de relação com a IA na jornada de compra:

Modo Perfil da decisão Exemplos de categorias
Rotina Compras recorrentes, baixa complexidade Alimentos, bebidas, cesta básica
Curadoria Escolha entre muitas opções, gosto pessoal Moda, beleza, cuidados pessoais
Assistente Comparação técnica, ticket médio Eletrodomésticos, eletrônicos, viagens
Validador Alta complexidade e risco financeiro Automóveis, investimentos, educação

Quanto maior o risco financeiro e a carga cognitiva da decisão, mais o consumidor recorre à IA para pesquisar, comparar e validar. Se a sua marca não aparece nessas respostas, ela está fora da consideração. É por isso que recomendamos começar por uma auditoria GEO em múltiplas IAs para saber como as inteligências artificiais enxergam a sua empresa hoje.

O que vem por aí: agentes dentro do Modo IA

A fase agêntica já começou. Entre as novidades apresentadas:

  • Reservas no Modo IA: o usuário pede uma reserva de jantar e a busca executa a tarefa, consultando o Maps e a disponibilidade em tempo real. Lançamento previsto para agosto;
  • Agentes dentro da busca: disponíveis globalmente para assinantes AI Pro e Ultra ainda no terceiro trimestre;
  • Experiências customizadas: a IA constrói pequenas aplicações personalizadas para o usuário, como um rastreador de treinos e refeições, inicialmente nos EUA para AI Pro e Ultra.

Sobre o UCP (protocolo de comércio universal), o recado foi direto: enquanto ele não chega ao Brasil, o Google Merchant Center é o centro da estratégia no varejo digital. É ele que alimenta Shopping, Gmail, Apps, Display, YouTube, Discover e Maps. Se o seu feed de produtos não está impecável, você está invisível para todo esse ecossistema.

O jogo agora é humano e algorítmico

Um dos slides mais comentados trouxe uma provocação: a essência de marca como conhecemos, construída sobre personalidade, posicionamento e atributos emocionais, é subjetiva e não é legível para a IA. A subjetividade, vital para a conexão humana, representa um gargalo de processamento para os sistemas de inteligência artificial.

A partir disso, o Google apresentou uma matriz com dois eixos: conexão humana e legibilidade para máquinas. Ela gera quatro tipos de marca:

  • Lovemarks de legado: fortes com humanos, fracas para as máquinas;
  • Lovemarks agênticas: fortes nos dois eixos, o quadrante vencedor;
  • Marcas invisíveis: fracas nos dois eixos;
  • Commodities: legíveis para as máquinas, mas sem conexão humana.

A conclusão é que as marcas precisam ser ambivalentes: construir reputação e relevância tanto para pessoas quanto para algoritmos. De um lado, branding, narrativa e experiência. De outro, dados estruturados, conteúdo claro e autoridade digital medida com as métricas certas. Quem ignora o segundo eixo tende a sentir na pele a perda de tráfego orgânico causada pela IA no Google.

Os 5 pontos finais da palestra

  1. A IA remodelou a busca e convidou os consumidores a trazerem mais contexto para obterem respostas mais personalizadas e precisas;
  2. A busca deixa de ser apenas o fim do funil e incorpora inspiração, descoberta e consideração;
  3. A fase agêntica já começou com soluções como o UCP. Enquanto ele não chega ao Brasil, o Merchant Center é o centro da estratégia no varejo digital;
  4. Da porta para fora, as marcas precisam ser ambivalentes, construindo reputação e relevância para humanos e para as máquinas;
  5. Da porta para dentro, as empresas podem incorporar IA nos fluxos e processos para ganhar eficiência e fortalecer o diferencial humano nas decisões.

A nossa leitura: o Modo IA é o GEO na prática

Tudo o que foi apresentado nessa palestra confirma o caminho que a Oxigenweb vem trilhando com a metodologia SEO NEXT+: otimizar para a busca hoje é otimizar para pessoas e para inteligências artificiais ao mesmo tempo. É o que o mercado chama de GEO (Generative Engine Optimization), com camadas complementares como o AEO, a otimização para mecanismos de resposta.

Ser uma “lovemark agêntica” não acontece por acaso. Exige conteúdo estruturado em torno das reais necessidades do cliente, dados organizados, autoridade construída de forma consistente e monitoramento de como as IAs citam a sua marca, inclusive com métricas como o share of search e o share of answer.

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Perguntas frequentes sobre o Modo IA

O que é o Modo IA do Google?

O Modo IA é a experiência conversacional da Busca do Google. Em vez de retornar apenas uma lista de links, ele responde perguntas complexas com IA, aceita follow-ups e, na fase agêntica, executa tarefas como reservas. Segundo o Google, já são 1 bilhão de usuários globais.

Qual a diferença entre Modo IA e AI Overviews?

Os AI Overviews são resumos gerados por IA que aparecem no topo da busca tradicional, hoje com 2,5 bilhões de usuários. O Modo IA é uma experiência completa e conversacional, com buscas 3x mais longas e crescimento de 40% ao mês em perguntas de follow-up.

O Modo IA já funciona no Brasil?

Sim, o Modo IA já está disponível no Brasil. Os recursos agênticos chegam em ondas: as reservas no Modo IA têm lançamento previsto para agosto e os agentes dentro da busca chegam globalmente para assinantes AI Pro e Ultra no terceiro trimestre.

Como preparar minha empresa para o Modo IA?

Comece entendendo como as IAs enxergam a sua marca hoje, estruture o conteúdo em torno das necessidades reais do cliente, organize dados estruturados e mantenha o Merchant Center impecável se você vende produtos. Esse conjunto de práticas é o que chamamos de GEO.

Os brasileiros já usam IA para comprar?

Sim. Segundo a pesquisa Google e Ipsos apresentada no Fórum E-commerce Brasil 2026, 57% dos brasileiros já usaram IA em alguma jornada de compra, 44% em parte das compras e 13% em todas as compras.

Sobre o autor

Mauricio Shinmi

Mauricio Shinmi

Com 17 anos de experiência na área de marketing digital e SEO, está na lista dos 50 maiores especialistas de Wordpress do Brasil, faz parte do conselho de tecnologia e inovação de Presidente Prudente - SP, certificado 8'Ps, UX, Google Sales e sócio fundador da Oxigenweb.

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