Google Q1 2026: O que o crescimento de 19% em busca diz sobre o futuro da sua marca

Mauricio Shinmi

Escrito por Mauricio Shinmi

12 | 05 | 2026
Tempo de leitura 7 min de leitura

Resumo executivo: No dia 29 de abril de 2026, a Alphabet (controladora do Google) anunciou que sua receita de busca e publicidade cresceu 19% no primeiro trimestre, alcançando US$ 60,4 bilhões. Sundar Pichai, CEO da empresa, atribuiu o desempenho às experiências de busca com inteligência artificial. O Google Cloud cresceu 63%. Os modelos próprios de IA passaram a processar mais de 16 bilhões de tokens por minuto. Na mesma semana, a Microsoft anunciou que o Bing chegou a 1 bilhão de usuários mensais ativos pela primeira vez. Esse conjunto de números reorganiza a forma como CMOs, CEOs e diretores de marketing deveriam pensar a presença orgânica da marca nos próximos doze meses.

O que de fato mudou no trimestre

O relatório de resultados de uma big tech costuma interessar apenas a investidores. Esse não. Os números do Q1 2026 da Alphabet desenham o cenário em que as marcas vão competir por visibilidade pelo restante do ano, e o desenho é claro: a IA generativa deixou de ser uma camada experimental do Google para ser o próprio motor de crescimento da empresa.

Cinco dados sustentam essa leitura:

  • Receita de busca e publicidade: US$ 60,4 bilhões, crescimento de 19% ano contra ano.
  • Google Cloud: crescimento de 63%, ultrapassando US$ 20 bilhões pela primeira vez no trimestre, com backlog (contratos assinados ainda não executados) de quase US$ 460 bilhões.
  • Assinaturas pagas: 350 milhões no total, com o trimestre mais forte da história para os planos de IA para consumidor.
  • Modelos próprios de IA: 16 bilhões de tokens processados por minuto via API direta, contra 10 bilhões no trimestre anterior.
  • Custo das respostas de IA: redução de mais de 30% desde a migração para a geração mais recente dos modelos do Google (Gemini 3).

Sundar Pichai afirmou na teleconferência que as consultas de busca estão em níveis recordes e que as AI Overviews e o AI Mode são os responsáveis diretos pelo crescimento da receita publicitária da busca. É uma sentença simples com uma implicação grande: a busca por IA generativa não está canibalizando o Google, está alimentando o Google.

O que essa leitura tem de incômodo para marcas

Se o crescimento da busca está concentrado nas experiências de IA, a pergunta de negócio precisa mudar. Não é mais “minha marca aparece na primeira página do Google?”, mas sim “minha marca aparece dentro da resposta gerada pelo Google?”.

São jogos diferentes, com regras diferentes:

  • No jogo antigo, a marca conquistava um link azul. O usuário clicava. A jornada começava no seu site.
  • No jogo novo, a resposta é gerada pela IA. A marca pode ser citada como fonte, pode ser recomendada dentro do texto, pode aparecer em um carrossel lateral, ou pode simplesmente não estar lá. O usuário recebe a resposta sem necessariamente clicar.

A consequência operacional é direta: estratégias de marketing de conteúdo construídas exclusivamente para gerar tráfego perderam parte da efetividade. A nova métrica que importa é a presença da marca dentro das respostas geradas por IA, com ou sem clique. É exatamente isso que os pesquisadores chamaram de Generative Engine Optimization, ou GEO.

A queda de 30% no custo das respostas de IA é o dado que muda o jogo

Entre todos os números do trimestre, este merece destaque especial. Quando o Google reduz em 30% o custo de gerar uma resposta de IA, o efeito de segunda ordem é o que importa: a empresa ganha margem técnica e financeira para expandir as AI Overviews para mais tipos de consulta, inclusive comerciais.

Em termos práticos, isso significa que a fronteira entre “consultas que ativam IA” e “consultas que não ativam” deve continuar recuando ao longo de 2026. Marcas que vendem produtos e serviços, e que historicamente dependiam de cliques em consultas de meio e fim de funil, precisam considerar que o topo da página de resultados em breve pode ter respostas geradas por IA mesmo nessas etapas da jornada.

Para CMOs e diretores de marketing, a pergunta operacional vira: quanto da minha jornada de aquisição depende de cliques que talvez deixem de existir? Sem responder isso com dado, o orçamento de marketing está exposto.

O Bing chegou a 1 bilhão de usuários mensais: o que isso muda

Na mesma semana, a Microsoft anunciou que o Bing alcançou, pela primeira vez, 1 bilhão de visitantes mensais ativos, com crescimento de 12% na receita de anúncios de busca. A participação global do Bing ainda é pequena (cerca de 5% segundo o StatCounter), mas o número absoluto importa por uma razão específica: o Bing é o motor de busca por trás do ChatGPT Search e do Microsoft Copilot.

Em outras palavras, o crescimento do Bing é, na prática, o crescimento da infraestrutura que alimenta uma parcela relevante das respostas dadas por sistemas de IA generativa, inclusive os mais usados fora do Google. Para uma marca, isso reforça a necessidade de pensar visibilidade orgânica de forma multi-plataforma. Estar bem no Google é metade do jogo. A outra metade está em como a marca aparece quando o usuário pergunta no ChatGPT, no Copilot, no Perplexity ou no Gemini.

Outro detalhe vale atenção: a Microsoft apresentou no SEO Week, em abril, um recurso em desenvolvimento chamado proporção de citações, que mostraria a porcentagem de citações que um site recebe para determinada consulta dentro de respostas de IA. Quando esse recurso for lançado, será um dos primeiros instrumentos fornecidos diretamente por uma plataforma para mensurar presença em respostas de IA. Hoje, esse dado precisa ser coletado por meio de auditorias indiretas e ferramentas independentes.

A queda silenciosa que poucos comentaram

Há um número no relatório do Q1 2026 que a comunicação oficial passou rápido: a receita da Google Network (que inclui AdSense, AdMob e Google Ad Manager) caiu para US$ 6,97 bilhões, completando o segundo ano consecutivo de queda. Essa é a linha que monetiza tráfego em sites e aplicativos de terceiros, ou seja, em publishers e em sites da maior parte das empresas brasileiras que dependem de anúncios programáticos.

No Q1 de 2024, a Network representava cerca de 12% da receita total de anúncios do Google. No Q1 2026, ficou em torno de 9%.

O recado que esse dado dá para o mercado é direto: o Google está consolidando valor dentro das próprias superfícies (busca, YouTube, Gmail, AI Overviews) e o ecossistema de monetização externa está perdendo peso. Para marcas que financiam produção de conteúdo via veículos parceiros, ou que dependem de tráfego programático, a equação financeira que sustentava essa operação está ficando mais apertada.

Cinco decisões que C-levels deveriam revisar ainda este trimestre

Os dados do Q1 2026 não pedem reação alarmista, mas pedem revisão estruturada. Cinco frentes merecem entrar na agenda das próximas reuniões de planejamento:

1. Auditar a presença da marca em múltiplas IAs

Saber se sua marca aparece, e como aparece, em respostas geradas pelo Google AI Overviews, pelo ChatGPT, pelo Gemini, pelo Copilot e pelo Perplexity deixou de ser uma curiosidade. É insumo de planejamento. O que aparece nessas respostas vira a percepção inicial do consumidor sobre a categoria.

2. Atualizar a metodologia de mensuração de SEO

Posição média, volume de busca e CTR ainda importam, mas não são suficientes. Métricas como participação em respostas de IA (share of AI answers), citações em sistemas generativos e presença em entidades reconhecidas pelos modelos precisam entrar no painel da diretoria. Sem essas métricas, decisões de investimento em marketing orgânico ficam baseadas em uma visão parcial da realidade.

3. Reorganizar a produção de conteúdo para extração por IA

Conteúdo otimizado apenas para ranking tradicional perdeu eficácia. O conteúdo que funciona no novo cenário tem estrutura clara, hierarquia semântica explícita, blocos de resposta autocontidos, dados verificáveis e marcações de schema apropriadas. Esse é o conteúdo que os modelos de IA conseguem extrair e citar com confiança. É também, não por coincidência, o conteúdo que rende mais para o leitor humano.

4. Construir autoridade de entidade da marca

Os sistemas de IA reconhecem marcas como entidades, com atributos, relações e contexto. Quando essa entidade é fraca ou inconsistente, a marca não vira fonte confiável para a IA. Trabalho consistente de Entity SEO, presença coerente em fontes externas reconhecidas (Wikidata, perfis públicos, publicações setoriais, citações em conteúdo de terceiros) virou um dos vetores mais importantes de visibilidade em respostas de IA.

5. Reavaliar a dependência de monetização programática externa

Empresas que financiam conteúdo via parcerias com publishers ou que dependem fortemente de tráfego pago em rede externa precisam considerar o segundo ano consecutivo de queda da Google Network. O sinal estrutural é claro: o Google está priorizando suas próprias superfícies. A diversificação para canais próprios (lista de e-mails, comunidade, conteúdo proprietário, dados primários, relações diretas com clientes) deixou de ser opcional.

O papel da metodologia SEO NEXT+ nesse cenário

Há mais de uma década a Oxigenweb trabalha estratégia de busca para marcas brasileiras, e nos últimos dois anos consolidamos a metodologia SEO NEXT+ exatamente para o cenário que os resultados do Q1 2026 deixaram explícito. A metodologia integra:

  • SEO técnico tradicional: performance, indexação, dados estruturados, arquitetura, fundamentos que continuam sendo o piso para qualquer estratégia de visibilidade.
  • GEO (Generative Engine Optimization): otimização para citação e recomendação dentro de respostas de IA generativa, abrangendo Google AI Overviews, ChatGPT, Gemini, Perplexity, Claude e Copilot.
  • Entity SEO: construção da entidade da marca de forma reconhecível para os sistemas de IA, com presença coordenada em Wikidata, schemas estruturados, publicações setoriais e citações de autoridade.
  • Análise de presença multi-plataforma: auditoria sistemática de como a marca aparece em respostas geradas por diferentes sistemas de IA, com mensuração de evolução ao longo do tempo.
  • Conteúdo de autoridade: produção orientada à intenção real do usuário e à extração por IA, com densidade de dados, estrutura clara e fundamentos de E-E-A-T.

Marcas como JBS, Caloi, Itaipava e Cultura Inglesa já trabalham conosco em projetos de longo prazo. O que muda agora é que a janela de antecipação está ficando menor. Quem ajusta a estratégia em 2026 ganha vantagem competitiva. Quem espera 2027 entra em um cenário em que os concorrentes já estarão nas respostas de IA, e a marca, fora.

O que esperar dos próximos meses

O Google promete mais detalhes sobre a evolução da busca no Google I/O, que acontece em 19 de maio de 2026. O calendário também inclui o Brandcast em 13 de maio e o Google Marketing Live na sequência. Historicamente, esses três eventos concentram os anúncios mais relevantes sobre Ads, busca e medição para os doze meses seguintes.

Os resultados do Q1 2026 são apenas o pano de fundo. O sinal estrutural que eles deixam é o que importa: a busca está crescendo, a IA generativa é o motor desse crescimento, e a régua de visibilidade orgânica subiu. Estratégias construídas para o cenário de três anos atrás continuam funcionando para uma parte do problema, mas estão deixando dinheiro e oportunidade sobre a mesa em uma parte cada vez maior dele.

Para CMOs e CEOs que precisam tomar decisão de investimento de marketing nos próximos seis meses, a pergunta certa não é mais “como eu apareço no Google?”. É “como minha marca aparece quando o Google, o ChatGPT, o Gemini e o Copilot respondem por mim?”. Se a equipe de marketing não tem uma resposta clara para isso hoje, é o tipo de pauta que precisa entrar na próxima reunião de comitê.

A Oxigenweb pode ajudar a montar esse diagnóstico. Se quiser conversar sobre como sua marca está posicionada nesse novo cenário, entre em contato com nosso time.

Sobre o autor

Mauricio Shinmi

Mauricio Shinmi

Com 17 anos de experiência na área de marketing digital e SEO, está na lista dos 50 maiores especialistas de Wordpress do Brasil, faz parte do conselho de tecnologia e inovação de Presidente Prudente - SP, certificado 8'Ps, UX, Google Sales e sócio fundador da Oxigenweb.

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