Eu acho que vi uma marca…

Andre Monteiro

Você já notou como mais do que nunca as marcas estão presentes no cenário da música pop brasileira? São incontáveis os clipes onde as marcas fazem suas aparições e até mesmo estão envolvidas na produção e distribuição desse conteúdo.

Já está claro que a publicidade não deve mais se prender aos modelos tradicionais que se limitavam a interromper o entretenimento do consumidor, mas deve sim produzir ou fazer parte do entretenimento da melhor forma possível.

Product Placement de fato não é novidade para nós, mas a medida que essa estratégia vem sendo usada no atual cenário musical nos leva a diversas reflexões.

Inúmeras discussões que permeavam o dia a dia do brasileiro, como a inclusão das minorias com maior voz em sociedade já havia sido absorvida nos discursos publicitários, mas grandes marcas como Avon, Absolut, ADIDAS, Trident, C&A, dentre outras, viram na cantora Pabllo Vittar uma grande oportunidade de linkar seus propósitos.

Convido-lhes a imaginar a seguinte situação, o cantor que é seguido por uma legião de fãs e que vem obtendo sucesso em sua carreira carrega consigo uma média de 100 milhões de views em seus quase que mensais clipes no Youtube, agora pense em todas essas exibições com a presença e o fortalecimento da marca que talvez por alguns segundos apareceu, mas sem dúvida foi visto por cada possível consumidor que ao clipe assistia. Parece um bom investimento mesmo, não é? E é!

O cenário musical se renova com muita rapidez, porém uma vez postado, o vídeo e consequentemente o produto se eternizam no mundo da internet e serão vistos e revistos pelos grandes fãs sem qualquer interferência da marca ou qualquer indução a este comportamento, além disso a música é um meio com nichos muito específicos e que tem claramente um porta-voz de credibilidade com vários fãs para confirmar isso.

Ok, até agora explorei o campo audiovisual, mas já pensou nas inúmeras formas de incluir a marca a este universo? Os eventos estão sendo utilizados como uma estratégia certeira e uma grande ponte entre os fãs/consumidores ao artista e a marca, shows abertos com grandes estruturas, e até pocket shows com direito a vídeos com potencial de viralização são investimentos que grandes marcas não estão pensando duas vezes antes de efetivar.

O produto acompanhar este artista no seu cotidiano e ser protagonista de alguns stories e postagens do cantor nas redes sociais também pareceu uma boa estratégia as marcas que puderam chegar a um nível ainda mais forte de intimidade com o artista que atua como influenciador diretamente com seu público.

Nos últimos dias vimos também casos como o da Cheetos e da Coca-Cola que criaram edições especiais com direito a um re-design de suas embalagens agora com fotos dos artistas estampados no próprio produto.

A publicidade já identificou a necessidade de se renovar e além disso identificou meios para isso, é possível estar presente sem estar incomodando, é possível fazer de cada aparição da marca uma boa experiência, e é isso que esta aliança entre o mercado musical brasileiro e as marcas vem nos mostrando, mas a pergunta que deixo aqui é: Será que um dia o consumidor também se cansará disso?

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Andre Monteiro

Estudante de Publicidade em ato, Publicitário formado em potência. Sonhador inquieto, amante da arte e apreciador de conversas aleatórias.

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