WordPress 7: o que mudou nas versões 7.0 e 7.1 e o que fazer no site da sua empresa
O WordPress 7 chegou em duas etapas em 2026: a versão 7.0 “Armstrong” (20 de maio) colocou a…
Escrito por Mauricio Shinmi
Nesta semana, o PHP, a linguagem que roda cerca de 70% dos sites do mundo (incluindo todo site em WordPress), recebeu uma das correções de segurança mais urgentes da sua história. Duas falhas críticas, apelidadas de PHP2Shell (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619), permitem que um atacante execute código no servidor sem precisar de login. Para piorar, os identificadores das falhas vazaram na internet um dia antes da correção sair.
Neste artigo explicamos o que aconteceu, quem divulgou, quem é afetado, quais versões resolvem o problema e como a Oxigenweb protegeu os sites dos clientes no mesmo dia em que a correção foi publicada.
Resumo rápido
O que é: duas falhas no núcleo do PHP que permitem execução remota de código sem autenticação.
Gravidade: CVSS 9,2 (crítica) nas duas.
Quem é afetado: PHP da versão 5.4 até a 8.5.11, em qualquer servidor que atende páginas web.
Correção: PHP 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35, lançadas em 21 de outubro de 2026.
Sem correção oficial: PHP 8.1 e versões mais antigas.
PHP2Shell é o nome dado ao par de vulnerabilidades corrigido pelo time de segurança do PHP em 21 de outubro de 2026. As duas exploram a forma como o PHP lida com a memória entre uma requisição e outra, ou seja, estão no motor da linguagem, e não em um plugin ou tema.
| Falha | O que acontece | Impacto |
|---|---|---|
| CVE-2026-109618 | Quando a requisição estoura o limite de memória no momento errado, o PHP guarda dados pela metade e depois os trata como válidos, corrompendo a memória. | Execução remota de código. No Apache com mod_php, um único acesso sem login dispara o ataque antes de o site carregar. |
| CVE-2026-109619 | Um erro fatal pode deixar o PHP apontando para memória de uma requisição anterior, que já foi liberada. O próximo acesso no mesmo processo usa esses dados velhos. | Execução remota de código e vazamento de memória, que pode expor senhas, tokens e chaves de API. |
Na prática, “execução remota de código” significa que o atacante consegue rodar comandos no servidor com as permissões do site: instalar um arquivo malicioso, roubar dados do banco, redirecionar visitantes ou usar o servidor para atacar outros. É o pior tipo de falha que uma aplicação web pode ter.
A história começou bem antes desta semana. Segundo a PHP Foundation, os primeiros sinais do problema de memória apareceram em 2024, durante uma auditoria externa. Em agosto de 2026, a empresa de segurança Calif e a OpenAI relataram de forma independente a causa da falha, e a Wiz enviou seu relatório em 24 de agosto. O time do PHP preparou a correção e combinou uma data de divulgação coordenada com distribuições Linux e provedores, como manda o protocolo.
O plano era publicar tudo na quinta, 22 de outubro. Não deu certo:
| Quando (horário de Brasília) | O que aconteceu |
|---|---|
| Ter, 20/10, por volta de 12h | Os números das CVEs vazam em um post no Hacker News, com nota de gravidade errada (10,0) e data errada. O post é apagado, mas os prints se espalham. |
| Ter, 20/10, 16h30 | O PHP publica um aviso prévio e antecipa a correção em um dia. |
| Ter, 20/10, à noite | Um vídeo com a prova de conceito do ataque é publicado por engano e circula nas redes sociais. |
| Qua, 21/10, por volta das 11h | Saem as versões corrigidas: PHP 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. A Cloudflare libera regras de firewall para todos os planos, inclusive o gratuito. |
| Qua, 21/10, fim da tarde | Calif e Wiz publicam os detalhes técnicos. A Cloudflare relata tráfego de ataque mirando as falhas. |
Ou seja: entre o vazamento e o início dos ataques passaram poucas horas. Quem dependia de alguém “lembrar de atualizar um dia desses” ficou exposto.
De acordo com o levantamento citado pela Infosecurity Magazine, o PHP é usado por cerca de 69,7% dos sites cuja linguagem de servidor é conhecida. Isso inclui WordPress, WooCommerce, Drupal, Joomla, Magento e boa parte dos sistemas web sob medida.
O Google Cloud informa que todas as versões do PHP 5.4 até a 8.5.11 são vulneráveis. Segundo o próprio PHP, qualquer instalação que atende páginas web está em risco: PHP-FPM, Apache com mod_php, php-cgi, FrankenPHP e LiteSpeed. O caso mais grave é o mod_php, em que o ataque acontece antes de qualquer código do site rodar.
| Versão do PHP no seu servidor | Situação |
|---|---|
| 8.5.x | Atualizar para 8.5.12 |
| 8.4.x | Atualizar para 8.4.27 |
| 8.3.x | Atualizar para 8.3.36 |
| 8.2.x | Atualizar para 8.2.35 |
| 8.1, 8.0, 7.x ou mais antigo | Sem correção oficial. Há apenas remendos mínimos de código-fonte para 7.4, 8.0 e 8.1. O caminho seguro é migrar o site para o PHP 8.2 ou mais novo. |
Atenção: distribuições Linux e painéis de hospedagem às vezes aplicam a correção mantendo o número de versão antigo. Por isso, a confirmação deve ser feita com o provedor ou com quem cuida do servidor, e não só olhando o número da versão.
A maioria das brechas em sites WordPress está em plugins: o próprio relatório da Patchstack aponta que 91% das vulnerabilidades do ecossistema estão neles. O PHP2Shell é outra categoria. A falha está na base de tudo, então não importa se o site tem poucos plugins, se o tema é bom ou se a senha do admin é forte.
Outro ponto chama a atenção: a inteligência artificial. A Wiz afirma que as falhas existiam havia décadas, mas que modelos de IA de ponta reduziram muito o esforço para transformá-las em um ataque funcional. O Google também relata que o seu modelo Gemini contribuiu para encontrar a falha, desenvolver a prova de conceito e validar a correção. A mesma tecnologia que ajuda a defender também acelera quem ataca, e o tempo entre a divulgação de uma falha e os primeiros ataques fica cada vez menor.
Na Oxigenweb, segurança de servidor não espera a próxima janela de manutenção. Assim que as versões corrigidas foram publicadas, em 21 de outubro, o nosso time:
Aplicou a mitigação recomendada pelo PHP no php.ini, desativando o recurso de progresso de upload de sessão e ajustando os limites usados pelo ataque, para fechar a porta enquanto a atualização era feita.
Atualizou o PHP nos servidores que administramos para as versões corrigidas.
Confirmou a proteção da Cloudflare, com as regras de firewall (WAF) contra o PHP2Shell ativas nos sites que estão atrás dela.
Fez uma varredura nos sites dos clientes, procurando webshells, arquivos PHP novos ou alterados e acessos suspeitos nos logs.
Teve um fator que pesou muito a nosso favor: em setembro, fizemos um mutirão para migrar os sites WordPress mais antigos dos clientes para o PHP 8.2, corrigindo temas e plugins que não rodavam nas versões novas. Foi um trabalho grande, mas é exatamente por isso que os nossos clientes estavam em uma versão que recebeu correção oficial. Quem ainda roda PHP 7.4 ou 8.1, comum em sites antigos e hospedagens baratas, ficou sem atualização oficial nesta semana.
Descubra a versão do PHP. No WordPress, ela aparece em Ferramentas > Saúde do site > Informação > Servidor. No cPanel, em “Selecionar versão do PHP” ou “MultiPHP Manager”.
Peça a atualização ao seu provedor e confirme por escrito que a correção do PHP2Shell (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619) foi aplicada.
Se estiver no PHP 8.1 ou anterior, planeje a migração para o 8.2 ou mais novo com urgência. Antes, teste o site: temas e plugins antigos costumam quebrar.
Ative um firewall de aplicação (WAF). As regras da Cloudflare contra o PHP2Shell estão disponíveis até no plano gratuito.
Procure sinais de invasão: arquivos PHP novos em pastas como wp-content/uploads, usuários administradores que você não criou, redirecionamentos estranhos e alertas do Google. Se encontrar algo, siga o nosso guia de site WordPress invadido: o que fazer.
Troque senhas e chaves do banco de dados e de APIs se houver qualquer suspeita, já que uma das falhas pode vazar dados da memória do servidor.
O PHP2Shell deixa claro algo que repetimos há anos: site não é um projeto que termina no dia em que vai para o ar. Ele roda em cima de uma linguagem, de um servidor e de dezenas de componentes que recebem correções o tempo todo. Dois fatores decidem se uma falha como essa vira só uma notícia ou um site fora do ar:
Se você não sabe em que versão do PHP o seu site está, ou não tem certeza de que alguém atualizou o servidor nesta semana, esse é o sinal. Conheça o nosso serviço de manutenção de sites WordPress e veja também como reforçar a proteção em segurança WordPress além do básico.
Seu site está protegido contra o PHP2Shell?
Fazemos um diagnóstico da versão do PHP, do servidor e da segurança do seu site WordPress e dizemos exatamente o que precisa ser feito.
É o nome dado a duas vulnerabilidades críticas no núcleo do PHP, CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, corrigidas em 21 de outubro de 2026. Elas permitem que um atacante execute código no servidor sem precisar de login.
Se o servidor roda PHP entre as versões 5.4 e 8.5.11 sem a correção aplicada, sim. O WordPress em si não tem a falha, mas roda em cima do PHP. Confirme com o seu provedor se o PHP foi atualizado para 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 ou 8.5.12.
Não. A falha está no PHP, no servidor. É preciso atualizar o PHP ou pedir ao provedor de hospedagem que faça isso. Manter o WordPress e os plugins atualizados continua importante, mas não fecha essa brecha.
Essas versões estão fora do suporte e não receberam correção oficial. O caminho seguro é migrar o site para o PHP 8.2 ou mais novo. Enquanto isso, isole o site atrás de um firewall de aplicação e aplique as mitigações recomendadas pelo PHP.
Sim. A Cloudflare relatou tráfego de ataque mirando as falhas logo após a divulgação, e um vídeo com a prova de conceito circulou nas redes. Por isso a recomendação de todos os órgãos de segurança é atualizar imediatamente.
No mesmo dia da correção, aplicamos a mitigação no php.ini, atualizamos o PHP nos servidores, confirmamos as regras de firewall da Cloudflare e fizemos uma varredura nos sites em busca de sinais de invasão.
Mauricio Shinmi
Com 17 anos de experiência na área de marketing digital e SEO, está na lista dos 50 maiores especialistas de Wordpress do Brasil, faz parte do conselho de tecnologia e inovação de Presidente Prudente - SP, certificado 8'Ps, UX, Google Sales e sócio fundador da Oxigenweb.
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