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Marketplace da Amazon chega ao Brasil

Mauricio Shinmi

Na recepção do escritório da Amazon, na região da Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo, o clima era parecido com o do tradicional “trote” de calouros que chegam à Universidade: olhos curiosos de funcionários recém-contratados, ainda perdidos e “explorando o território”. A mesma sensação de “o que vai acontecer agora?” era vivenciada nos escritórios dos concorrentes.

Não à toa. Nesta quarta-feira, o maior e-commerce dos Estados Unidos desembarcou para valer no Brasil e passou a vender, depois de cinco anos apenas no mercado de livros, os tão desejados produtos eletrônicos.

A notícia abalou o mercado, que viu a B2W, um dos maiores marketplaces do país, perder 18% de seu valor na bolsa, além do Mercado Livre, que depois de especulações de que seria comprado pela gigante americana, teria perdido US$ 1 bilhão. Nem o Magazine Luizaescapou da torrente de especulações.

Já dentro da sala de reuniões, o sereno Alex Szapiro, Country Manager da Amazon no país, comemorava o lançamento no mercado de eletrônicos. “Estamos muito felizes por anunciar que a Amazon começa a operação de eletrônicos no Brasil nesta quarta-feira”, disse, animado, à redação do E-Commerce Brasil.

Para ele, a escolha da nova categoria vai ao encontro da demanda do consumidor brasileiro “apaixonado por livros e por eletrônicos”. “Eu gostava muito de contestar a frase: ‘o brasileiro não lê’”, defendeu. “Na nossa visão, achávamos o contrário: o brasileiro gosta muito de ler. O que acontece é que não lia porque tinha dificuldade de encontrar livros”, justificou.

Mas as obras literárias foram apenas um laboratório para a Amazon experimentar a operação no país. A gigante americana foi expandindo o mix de produtos aos poucos: no início, eram 13 mil livros em português; em 2014, chegaram os Kindles e a plataforma de autopublicação que, segundo Szapiro, estimulou significativamente o mercado de escritores no país. “Hoje, de cada 100 livros vendidos (best-sellers) na Amazon Digital, 30 são de autopublicações”, conta.

Em seguida, foi a vez do serviço de assinaturas: um acervo de mais de 1 milhão de livros pelo atraente preço de R$ 19,90. Em abril de 2014, os livros físicos ganharam espaço na plataforma. Hoje, já são mais de 350 mil itens em português e mais de 13 milhões considerando outras línguas.

Agora, chegou a vez de mais de 110 mil eletrônicos que serão vendidos pela plataforma chegarem até as mãos dos consumidores brasileiros. “Queremos repetir a experiência bem-sucedida dos livros no segmento de eletroeletrônicos. Não queremos olhar apenas para os itens mais vendidos no Brasil e ter a certeza de que temos que ter um número grande de vendedores em cada oferta, mas temos uma obsessão grande pela cauda longa”, adiantou Szapiro.

E, apesar da euforia da notícia, a Amazon continua “com os pés no chão”. A principal preocupação da empresa, segundo Szapiro, é usar a tecnologia e o know-how adquiridos em outros países para proporcionar uma grande experiência positiva tanto para consumidores finais quanto lojistas.

“Funcionamos com base no ‘círculo virtuoso’: melhor oferta, com um catálogo crescente e mais conveniência. Temos obsessão pelo seller e pelo consumidor”, enfatizou.

Entre as principais vantagens de vender produtos pela Amazon, Szapiro citou a taxa única que será cobrada inicialmente dos lojistas – o valor promocional, de 10%, não tem data definida para expirar – e o mecanismo de precificação dinâmica flexível, que permite aos lojistas definirem seus próprios preços.

“Queremos simplificar a cobrança para que o vendedor consiga saber o quanto vai ganhar em cada venda. Mesmo que o cliente parcele as compras em até 10 vezes sem juros, a taxa continuará sendo 10%* e a média de recebimento do lojista será de 14 dias, em média”, afirmou Szapiro.

Outro destaque, citado por Szapiro, é a flexibilidade da plataforma, que deve permitir ao lojista definir o custo do frete de acordo com o CEP do comprador. De acordo com o executivo, o varejista poderá escolher entre mais de 53 regiões para otimizar o preço do frete.

Em relação à dinâmica do atendimento dentro da plataforma, Szapiro explica que toda a intermediação entre comprador e vendedor pode ser feita por meio de um centro de controle, em tempo real, onde o lojista consegue acompanhar as mensagens, perguntas e reclamações dos clientes. “É importante lembrar que o tempo de resposta das solicitações pode variar de acordo com o lojista”, ressaltou.

Essa agilidade do lado de cá do balcão vai impactar também a reputação da loja dentro da plataforma, como já é de costume nos outros marketplaces. Por isso, a Amazon estipulou um prazo de até 48 horas para os varejistas despacharem os pedidos. “Se o seller não fizer o despacho do produto no prazo, ele pode ser penalizado e perder relevância no BuyBox, mesmo que tenha o melhor preço”, alertou.

Como a empresa não será responsável pela entrega dos eletrônicos (ao contrário do que ocorre no caso dos livros), a aposta será controlar muito bem os processos para a operação sair sem ruídos.

“Estamos integrados aos Correios e mesmo se optarem por outros players de logística é possível disponibilizar o tracking para que o consumidor final faça o rastreamento do produto”, exemplificou.

“De qualquer forma, a comunicação entre os dois é completamente aberta e cada empresa definirá sua própria metodologia. Se houver problema, o consumidor vai avaliar negativamente e a Amazon vai intervir”, explicou.

Do lado do consumidor, o estorno fica garantido por meio do “Garantia de A a Z”, política de reembolso da empresa, nos casos em que o cliente não conseguir uma resposta do vendedor após dois dias úteis de tentativa, atraso na entrega, defeito do produto, entre outros.

“A responsabilidade é nossa no caso de o consumidor ter algum problema com o vendedor. Mas fazemos o reembolso depois de averiguarmos que ele é realmente merecido.”

Do lado do vendedor, a Amazon garante o repasse do dinheiro em, em média, 14 dias, após o consumidor receber o produto. “Todos os algoritmos e o desenvolvimento tecnológico trabalham para ter certeza de que o vendedor terá a melhor oferta e o melhor serviço”, disse.

Alex Szapiro, Country Manager da Amazon no Brasil 

Sem limites para quem quer vender

Reconhecida mundialmente por sua eficiência logística, a Amazon não teme que a infraestrutura do Brasil atrapalhe a operação do marketplace de eletrônicos. Szapiro é categórico ao afirmar que não enxerga a infraestrutura brasileira como precária.

“Temos, sim, o desafio de entrega por estarmos em um país com dimensões continentais, mas hoje existem empresas que chegam basicamente a qualquer canto do Brasil”, cravou Szapiro.

Em comparação com o mercado indiano – onde em muitos locais não há sequer CEP -, o presidente acredita que a entrega no Brasil seja muito mais possível. “O desafio então é chegar mais rápido e ser mais pontual.”

E o primeiro teste de eficiência operacional dos varejistas da Amazon pode acontecer no dia 24 de novembro. Segundo estimativas do Google, a Black Friday deve movimentar R$ 2,2 bilhões este ano, número confirmado também pelo E-bit.

Coincidentemente, a categoria de eletrônicos lidera o ranking de intenção de compras, sendo o setor preferido de 34% dos consumidores, seguido por eletrodomésticos (27%), informática (24%), telefonia e celulares (23%). O Mercado Livre, por exemplo, declarou que vai aumentar em 50% os investimentos de marketing para impulsionar as vendas da data.

Para Szapiro, o lançamento do marketplace próximo à data da Black Friday foi uma mera coincidência. “Não estamos fazendo o lançamento por conta da Black Friday, muito pelo contrário: vamos ter promoções constantes. Queremos trazer promoções diferentes sempre para o consumidor comprar na Amazon”, disse.

Os lojistas, inclusive, decidiram estrear na plataforma já com descontos, segundo o executivo. “Quem entrar hoje no ‘Go Box’, área de promoções do site, vai ver as ofertas. E quem comprar qualquer produto nas próximas semanas ganha um e-book”, informou, no melhor estilo vendedor.

Adepta da cultura de “longo prazo”, Szapiro não quis comentar sobre planos futuros do e-commerce, como a possibilidade de expandir o Amazon Prime para o Brasil. Mas, como toda estratégia à la Amazon, podemos esperar por mais novidades em momentos oportunos. “Não olhamos o mês e nem o trimestre. Estamos sempre de olhos nos próximos anos”, finalizou.

*A porcentagem da comissão promocional para o Plano de Vendas Individual será de 10% de cada transação, mais R$ 2 por item. Quem optar pelo Plano de Vendas Profissional pagará os mesmos 10% por cada transação e uma mensalidade de R$ 19 sem precisar pagar o valor de R$ 2 por item.

Fonte: E-commerce Brasil

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Mauricio Shinmi

Com 10 anos de experiência na área de marketing digital e SEO, é certificado 8'Ps, UX e sócio da Oxigenweb.

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